Vou viajar sozinha. Relaxar no spa e nas piscinas. Ter o quarto só para mim. Aproveitar para ler, ver televisão, comer bem… Vamos ver como corre não ter companhia para toda a experiência mas espero que me ajude a acalmar a minha ansiedade e a reconhecer que é possível retirar prazer destas atividades mesmo estando sozinha. É mais um passo em direção a uma recuperação lenta de uma vida nova e ainda pouco explorada.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Futuro
O futuro. O futuro é assustador. Implica fazer escolhas. Escolher viver e seguir em frente. Sinto-me ainda demasiado desamparada para pensar no futuro e consigo apenas centrar-me no presente, no dia-a-dia. Em sobreviver a mais um dia. Mais uma hora. Mais uma tarefa. Todos estes passos confluem para uma corrida sem fim, sem objetivos e sem planos. O que importa é sobreviver. Depois se pensará no que fazer da vida, em retirar prazer das atividades diárias. Depois se pensará no amor, na família, na amizade. Agora pensa-se nos anseios do corpo e da alma e tenta-se cumprir aquilo que nos foi destinado.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Solidão acompanhada
É estar no meio de um grupo e sentir-me mais sozinha que nunca e recordar com saudade a vida que, em tempos, vivi. É saber que nunca mais nada será o mesmo. É sentir uma tristeza que trespassa, um desânimo esmagador, um aperto no peito que nada nem ninguém pode curar. São feridas que permanecem, que estão tatuadas na pele. É uma tentativa desesperada de fugir àquilo que se é, de pertencer por um momento a algum lado, a alguém, mas tudo não passa de um ato inútil, de um simples momento de solidão acompanhada.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Uma luz ao fundo do túnel
Para quem nunca viveu uma depressão, penso que a melhor forma de a descrever é como sermos espetadores da vida lá fora e encontrarmo-nos confinados a um pequeno buraco negro, sem perspetivas de algum dia voltarmos a sentir, a ver, a escutar, a saborear. Tudo perde o interesse, tudo se torna acessório, fútil, a dor trespassa quem alguma vez fomos e torna-nos num ser que não reconhecemos. Não há objetivos ou sonhos, apenas o presente conta e esse está carregado de tanta dor que por vezes se torna demasiado avassaladora para a conseguirmos suportar. E então surgem os pensamentos sobre a morte, os planos e por vezes as ações.
Ao fim de dois anos e meio a sofrer com uma depressão severa, de múltiplos internamentos e tentativas de suicídio, e de suspensão da minha atividade profissional, comecei recentemente a trabalhar. Toda a experiência me causa uma angústia imensa mas parece ser necessária para uma recuperação bem sucedida.
Analiso hoje, pela primeira vez, o impacto da minha depressão. Um casamento falhado, dois anos e meio sem trabalhar, duas mudanças de casa, múltiplas hospitalizações, diversos médicos e psicólogos… Esperanças renovadas e traídas, um carrossel emocional sem fim.
Estou ainda a retirar as consequências da minha doença. A aprender a não passar determinados limites, a colocar a vida em primeiro lugar, acima de qualquer teoria de sucesso pessoal ou profissional, a dar-me tempo, tempo e espaço para cair e recuperar. Estou a aprender a não ser o meu maior carrasco, que coloca expetativas irrealistas e ideias de perfeição acima de todos os limites daquilo que é humanamente possível atingir. Estou apenas a aprender… ainda tenho um longo caminho a percorrer e apetece-me, muitas vezes, desistir. Simplesmente deixar de ser. Emigrar para um espaço onde não existam expetativas, frustrações, dor. O espaço de não-ser. Mas teimo em resistir e tento agora redescobrir quem sou. Esta é uma tarefa dura, morosa e ainda sem fim à vista mas é urgente reinventar quem sou para poder voltar a acreditar na vida e no seu valor. Perder peso, cuidar da pele, fazer exercício, conviver, sair, trabalhar… Tantas exigências ainda para quem como eu esteve mergulhada no mais profundo abismo. No entanto é preciso começar. Passo a passo. Sem olhar para trás. Mais do que acreditar que é possível é preciso agir, tomar mesmo as mais insignificantes iniciativas e esperar um dia ter uma vida que dê prazer viver. Voltar a ser feliz.
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