Aprender que os nossos problemas do presente resultam afinal de traumas mal resolvidos do passado não deixa para mim de ser uma surpresa. Vou progressivamente ganhando um maior conhecimento sobre as causas da minha doença e dos meus pensamentos mas ainda há um grande caminho a percorrer. E mergulhar nas profundezas de quem sou e das minhas experiências é afinal uma experiência dolorosa que eu queria a todo o custo evitar. Tenho algumas opções em aberto mas não sei que direção tomar. Estou à espera de um rumo. Sei que devia começar por algum lado. Por coisas pequenas. Mas não estou a conseguir e por isso sinto que não presto. Que não valho nada. Preciso de inverter este ciclo, esta tendência. Preciso de algum incentivo para a mudança.
quarta-feira, 27 de março de 2013
segunda-feira, 25 de março de 2013
Estou tão cansada, tão exausta desta vida. Só queria conseguir seguir em frente ou cumprir alguns dos objetivos a que me propus mas nem isso consigo. Detesto quem sou, só queria transformar-me numa outra pessoa. E nem sequer me consigo mobilizar para isso. Não me consigo mobilizar para nada. Só sei que continuo a sofrer. Muito. E a dor parece cada vez maior. Parece intransponível. Não consigo despertar para outro mundo. Não tenho prazer nas atividades diárias. Só me apetece ficar na cama o dia todo. Sossegada com os meus pensamentos. Sinto-me doente. Verdadeiramente doente. Mas a minha dor e a minha doença não são visíveis para os outros. Continuo neste mundo não sei bem por quê ou para quê. Queria viver uma vida normal. Não sei por que não me sinto melhor. Tento trabalhar mas tudo me parece uma tarefa gigantesca e sem fim. Só me apetece desistir.
quinta-feira, 21 de março de 2013
Renascer
Sinto que me foi novamente dada uma oportunidade para viver. O meu corpo ajusta-se bem demais às torturas a que o submeto. É resistente. Muito mais do que eu poderia imaginar. Mas sei que nem sempre será assim e que é preciso lutar para vencer esta batalha de mim contra mim própria. De deixar repousar estes pensamentos autodestrutivos e de aprender a gerir as minhas emoções e pensamentos, por mais absurdos ou revoltantes que estes possam parecer. Preciso de aprender a desiludir-me, ou seja a deixar as minhas desilusões de parte. E urge gerir as expetativas em relação à doença e em relação a mim própria. Foram estes os guias que me foram dados para aumentar o meu insight sobre a minha presente situação. Tenho dificuldades relacionais, tenho uma doença, tenho expetativas irrealistas e tenho tendência a punir-me, a castigar-me por não me encaixar nos meus ideais de perfeição. E é esse caminho de autoabsolvição que eu tenho de trabalhar. Aprender a perdoar-me por não ser perfeita, aprender a perdoar-me por estar doente, aprender a perdoar-me por sentir raiva contra mim própria. Aprender. E lidar com o impulso e com estes pensamentos invasivos como parte daquilo que sou de momento mas não daquilo que vou e quero ser. Aprender a não ceder. A não me comprometer. A procurar ajuda. Espero conseguir desta vez. Espero por um renascimento.
sexta-feira, 15 de março de 2013
Saudades de mim
Tenho saudades de mim. Tantas saudades daquela rapariga que acreditava na vida e no futuro, que sabia onde queria ir, o que queria fazer, que amava sem receio, que gostava de viver. Tenho saudades de ser assim. Livre. Tenho saudades de me reconhecer ao espelho. Tenho saudades de acreditar. De ver o mundo a cores. De acreditar na vida. Porque de momento o futuro é negro e negros são os meus pensamentos e os meus sentimentos. Já nem consigo chorar. A dor é tanta que ultrapassa aquilo que sou e que quero ser. A dor é tanta que me impede de viver. Sobrevivo apenas. Na esperança porém de um dia me voltar a reconhecer, de voltar a ser eu. Na esperança porém de que a negritude do meu olhar se transforme em esperança de um futuro melhor. Estou farta de sofrer. Farta desta dor.
quinta-feira, 14 de março de 2013
Pequeno mundo
Neste momento é como se eu tivesse tido duas vidas. Antes da doença e após a doença. E olhar para o passado é extremamente difícil. Não me reconheço nas fotografias antigas, naquilo que escrevi, naquilo que sonhei. E, ainda assim, sinto que aquela pessoa também faz parte integrante de quem eu sou. Esta nova personagem que surgiu no contexto da doença pode parecer fraca, pouco participativa no seu próprio destino mas é essencialmente humana. Falha, cai, recomeça, desiste. Todas as contradições do mundo fazem parte de quem é mas encontra-se nela uma força oculta, invisível para muitos, mas que consiste na luta ativa contra a doença. Uma luta acérrima, em que todas as armas são utilizadas, uma luta muitas vezes inglória pela sua aparente insignificância. E quando parece que se está a fazer pouco é preciso olhar de novo e ver os sentimentos que foram dominados, o levantar da cama de manhã, o tentar olhar para o mundo de uma outra forma. É preciso dar valor ao (pouco) que foi feito pela sua significância. A verdade é que há bem pouco tempo não passava um minuto do meu dia sozinha, dependia dos outros para tudo, vivia isolada do mundo e hoje consigo levantar-me para trabalhar na maior parte dos dias, consigo ler um livro, ter uma conversa, ter um plano. E embora tudo isto possa parecer insignificante eu tenho de o valorizar se quero continuar inteira e prosperar. Muito há a fazer. Mas eu tenho de considerar que aquilo que consigo dar de momento é de alguma forma suficiente. Que aquilo que eu sou chega para ser amada e respeitada pelos outros. Que independentemente das minhas conquistas futuras já cheguei longe no meu pequeno mundo.
segunda-feira, 11 de março de 2013
Caminho
Tudo começou devagar. Os dias começaram a custar a passar. Os acordares tornaram-se mais difíceis. Os regressos a casa eram carregados de cansaço, desânimo e crises de choro. Pouco a pouco fui perdendo o prazer nas atividades que antes gostava de realizar. Deixei de conseguir realizar as tarefas domésticas, burocráticas, costumeiras. Tinha crises de choro nas aulas, sentia-me deslocada, perdi o sono e o apetite. E como culminar deste processo deixei de conseguir trabalhar. Veio o pedido de ajuda. O recurso aos medicamentes e à terapia. E depois começaram os pensamentos sobre a morte. A apatia. A despersonalização. A incapacidade de sair de casa. E depois tudo se desmoronou. Veio a primeira tentativa de suicídio. O primeiro internamento. As baixas médicas. O desespero. E o caminho foi-se fazendo com muitos recuos e poucos avanços até ao dia de hoje. Já comecei a trabalhar e tive de ficar em casa novamente. Já estive internada muitas outras vezes e fiz inúmeras tentativas de suicídio. Mas a cada recuo tem correspondido mais uma pequena vitória. Mais um dia de trabalho. Mais umas páginas lidas de um livro. Mais um plano projetado. E assim se faz o caminho. Caminhando.
sexta-feira, 8 de março de 2013
Um dia
E um dia parece que não nos conseguimos mais levantar da cama. Que não nos apetece sair, trabalhar, que não há forças para tratarmos da casa, de nós, das pessoas de quem gostamos. E um dia tudo vira negro, um oceano de mágoa e tristeza e um olhar pleno das incapacidades sentidas, da impotência vivida. E um dia anos de sorrisos e de experiências, de aventuras e de conquistas, transformam-se num mar de vazio. E é esse vazio que vemos a olhar para nós ao espelho, é esse vazio que sentimos cá dentro, é por causa desse vazio que nos impede de conquistar e de nos erguermos que colapsamos e que nos abandonamos a esta doença cruel. Uma doença que transforma tudo o que conhecemos, ansiamos e desejamos. Que transforma quem somos. Que apaga os traços de um caminho até aí efetuado. E só quando nos vemos refletidos nos rostos dos outros nos apercebemos da dimensão da nossa queda, da nossa derrota. A depressão venceu. Perdemos a nossa identidade, sonhos e ilusões. A depressão venceu. Perdemos a nossa vitalidade e o amor pela vida. A depressão venceu. Mas talvez não para sempre. Talvez um dia volte um esgar do nosso olhar, se abra uma fresta da nossa alma, regresse uma parte do nosso sorriso. Talvez um dia voltemos a ser gente. Com sonhos, sem estes medos que atormentam o coração. Talvez um dia. Eu espero por ele.
quinta-feira, 7 de março de 2013
Serviço nacional de saúde
Um agradecimento. A todos os que tomaram conta de mim. Se preocuparam. Que foram profissionais e dedicados. Que mais uma vez provaram o valor do serviço nacional de saúde. Que demonstraram que não somos apenas números num sistema, que somos pessoas. Pessoas que trabalham em prol da saúde dos outros dando o seu melhor e pessoas doentes e dependentes que encontram nesse espaço os cuidados que necessitam e sobretudo a atitude empática, diligente e eficiente que caracteriza a larguíssima maioria dos médicos, enfermeiros e auxiliares nos hospitais portugueses. E pensar que este serviço é público, imputa custos irrisórios para os utentes e não impõe restrições de acesso. E pensar que querem destruir um sistema assim por motivações economicistas… Que os seguros de saúde têm o seu papel, fundamental, é indesmentível. Mas têm-no enquanto complemento do serviço nacional de saúde e não enquanto seu substituto. Em última instância quando é preciso, independentemente do dinheiro ou estatuto que se tenha, do histórico de doenças pré-existentes ou do número de “sinistros” ocorridos, o serviço nacional de saúde está sempre lá, ao nosso dispor. E vale a pena lutar por isso.
Alguém me ouviu
(Boss Ac)
Não me resta nada, sinto não ter forças para lutar
É como morrer de sede no meio do mar e afogar
Sinto-me isolado com tanta gente à minha volta
Vocês não ouvem o grito da minha revolta
Choro a rir, isto é mais forte do que pensei
Por dentro sou um mendigo que aparenta ser um rei
Não sei do que fujo, a esperança pouca me resta
É triste ser tão novo e já achar que a vida não presta
As pernas tremem, o tempo passa, sinto cansaço
O vento sopra, ao espelho vejo o fracasso
O dia amanhece, algo me diz para ter cuidado
Vagueio sem destino nem sei se estou acordado
O sorriso escasseia, hoje a tristeza é rainha
Não sei se a alma existe mas sei que alguém feriu a minha
Às vezes penso se algum dia serei feliz
Enquanto oiço uma voz dentro de mim que diz…
(Mariza)
Chorei,
Mas não sei se alguém me ouviu
Então sei se quem me viu
Sabe a dor que em mim carrego e a angústia que se esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo
Busquei
Nas palavras o conforto
Dancei no silêncio morto
E o escuro revelou que em mim a Luz se esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo
(Boss Ac)
Não há dia que não pergunte a Deus porque nasci
Eu não pedi, alguém me diga o que faço aqui
Se dependesse de mim teria ficado onde estava
Onde não pensava, não existia e não chorava
Prisioneiro de mim próprio, o meu pior inimigo
Às vezes penso que passo tempo demais comigo
Olho para os lados, não vejo ninguém para me ajudar
Um ombro para me apoiar, um sorriso para me animar
Quem sou eu? Para onde vou? De onde vim?
Alguém me diga, porque, me sinto assim?
Sinto que a culpa é minha mas não sei bem porquê
Sinto lágrimas nos meus olhos mas ninguém as vê
Estou farto de mim, farto daquilo que sou, farto daquilo que penso
Mostrem-me a saída deste abismo imenso
Pergunto-me se algum dia serei feliz
Enquanto oiço uma voz dentro de mim que me diz…
(Mariza)
Chorei
Mas não sei se alguém me ouviu
E não sei se quem me viu
Sabe a dor que em mim carrego e a angústia que se esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo...
Busquei,
Nas palavras o conforto
Dancei no silêncio morto
E o escuro revelou que em mim a Luz se esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo...
(Boss AC)
Tento não me ir abaixo mas não sou de ferro
Quando penso que tudo vai passar
Parece que mais me enterro
Sinto uma nuvem cinzenta que me acompanha onde estiver
E penso para mim mesmo será que Deus me quer
Será a vida apenas uma corrida prá morte
Cada um com a sua sina, cada um com a sua sorte
Não peço muito, não peço mais do que tenho direito
Olho para trás e analiso tudo o que tenho feito
E mesmo quando errei foi a tentar fazer o bem
Não sei o que é o ódio, não desejo mal a ninguém
Vai surgir um raio de luz no meio da porcaria
Porque até um relógio parado está certo duas vezes por dia
Vou-me aguentando
A esperança é a última a morrer
Neste jogo incerto o resultado não posso prever
E quando penso em desistir por me sentir infeliz
Oiço uma voz dentro de mim que me diz
Mantem-te firme
Não me resta nada, sinto não ter forças para lutar
É como morrer de sede no meio do mar e afogar
Sinto-me isolado com tanta gente à minha volta
Vocês não ouvem o grito da minha revolta
Choro a rir, isto é mais forte do que pensei
Por dentro sou um mendigo que aparenta ser um rei
Não sei do que fujo, a esperança pouca me resta
É triste ser tão novo e já achar que a vida não presta
As pernas tremem, o tempo passa, sinto cansaço
O vento sopra, ao espelho vejo o fracasso
O dia amanhece, algo me diz para ter cuidado
Vagueio sem destino nem sei se estou acordado
O sorriso escasseia, hoje a tristeza é rainha
Não sei se a alma existe mas sei que alguém feriu a minha
Às vezes penso se algum dia serei feliz
Enquanto oiço uma voz dentro de mim que diz…
(Mariza)
Chorei,
Mas não sei se alguém me ouviu
Então sei se quem me viu
Sabe a dor que em mim carrego e a angústia que se esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo
Busquei
Nas palavras o conforto
Dancei no silêncio morto
E o escuro revelou que em mim a Luz se esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo
(Boss Ac)
Não há dia que não pergunte a Deus porque nasci
Eu não pedi, alguém me diga o que faço aqui
Se dependesse de mim teria ficado onde estava
Onde não pensava, não existia e não chorava
Prisioneiro de mim próprio, o meu pior inimigo
Às vezes penso que passo tempo demais comigo
Olho para os lados, não vejo ninguém para me ajudar
Um ombro para me apoiar, um sorriso para me animar
Quem sou eu? Para onde vou? De onde vim?
Alguém me diga, porque, me sinto assim?
Sinto que a culpa é minha mas não sei bem porquê
Sinto lágrimas nos meus olhos mas ninguém as vê
Estou farto de mim, farto daquilo que sou, farto daquilo que penso
Mostrem-me a saída deste abismo imenso
Pergunto-me se algum dia serei feliz
Enquanto oiço uma voz dentro de mim que me diz…
(Mariza)
Chorei
Mas não sei se alguém me ouviu
E não sei se quem me viu
Sabe a dor que em mim carrego e a angústia que se esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo...
Busquei,
Nas palavras o conforto
Dancei no silêncio morto
E o escuro revelou que em mim a Luz se esconde
Vou ser forte e vou-me erguer
E ter coragem de querer
Não ceder, nem desistir eu prometo...
(Boss AC)
Tento não me ir abaixo mas não sou de ferro
Quando penso que tudo vai passar
Parece que mais me enterro
Sinto uma nuvem cinzenta que me acompanha onde estiver
E penso para mim mesmo será que Deus me quer
Será a vida apenas uma corrida prá morte
Cada um com a sua sina, cada um com a sua sorte
Não peço muito, não peço mais do que tenho direito
Olho para trás e analiso tudo o que tenho feito
E mesmo quando errei foi a tentar fazer o bem
Não sei o que é o ódio, não desejo mal a ninguém
Vai surgir um raio de luz no meio da porcaria
Porque até um relógio parado está certo duas vezes por dia
Vou-me aguentando
A esperança é a última a morrer
Neste jogo incerto o resultado não posso prever
E quando penso em desistir por me sentir infeliz
Oiço uma voz dentro de mim que me diz
Mantem-te firme
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