segunda-feira, 11 de março de 2013

Caminho

Tudo começou devagar. Os dias começaram a custar a passar. Os acordares tornaram-se mais difíceis. Os regressos a casa eram carregados de cansaço, desânimo e crises de choro. Pouco a pouco fui perdendo o prazer nas atividades que antes gostava de realizar. Deixei de conseguir realizar as tarefas domésticas, burocráticas, costumeiras. Tinha crises de choro nas aulas, sentia-me deslocada, perdi o sono e o apetite. E como culminar deste processo deixei de conseguir trabalhar. Veio o pedido de ajuda. O recurso aos medicamentes e à terapia. E depois começaram os pensamentos sobre a morte. A apatia. A despersonalização. A incapacidade de sair de casa. E depois tudo se desmoronou. Veio a primeira tentativa de suicídio. O primeiro internamento. As baixas médicas. O desespero. E o caminho foi-se fazendo com muitos recuos e poucos avanços até ao dia de hoje. Já comecei a trabalhar e tive de ficar em casa novamente. Já estive internada muitas outras vezes e fiz inúmeras tentativas de suicídio. Mas a cada recuo tem correspondido mais uma pequena vitória. Mais um dia de trabalho. Mais umas páginas lidas de um livro. Mais um plano projetado. E assim se faz o caminho. Caminhando.

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