Sinto que me foi novamente dada uma oportunidade para viver. O meu corpo ajusta-se bem demais às torturas a que o submeto. É resistente. Muito mais do que eu poderia imaginar. Mas sei que nem sempre será assim e que é preciso lutar para vencer esta batalha de mim contra mim própria. De deixar repousar estes pensamentos autodestrutivos e de aprender a gerir as minhas emoções e pensamentos, por mais absurdos ou revoltantes que estes possam parecer. Preciso de aprender a desiludir-me, ou seja a deixar as minhas desilusões de parte. E urge gerir as expetativas em relação à doença e em relação a mim própria. Foram estes os guias que me foram dados para aumentar o meu insight sobre a minha presente situação. Tenho dificuldades relacionais, tenho uma doença, tenho expetativas irrealistas e tenho tendência a punir-me, a castigar-me por não me encaixar nos meus ideais de perfeição. E é esse caminho de autoabsolvição que eu tenho de trabalhar. Aprender a perdoar-me por não ser perfeita, aprender a perdoar-me por estar doente, aprender a perdoar-me por sentir raiva contra mim própria. Aprender. E lidar com o impulso e com estes pensamentos invasivos como parte daquilo que sou de momento mas não daquilo que vou e quero ser. Aprender a não ceder. A não me comprometer. A procurar ajuda. Espero conseguir desta vez. Espero por um renascimento.
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