sexta-feira, 8 de março de 2013

Um dia

E um dia parece que não nos conseguimos mais levantar da cama. Que não nos apetece sair, trabalhar, que não há forças para tratarmos da casa, de nós, das pessoas de quem gostamos. E um dia tudo vira negro, um oceano de mágoa e tristeza e um olhar pleno das incapacidades sentidas, da impotência vivida. E um dia anos de sorrisos e de experiências, de aventuras e de conquistas, transformam-se num mar de vazio. E é esse vazio que vemos a olhar para nós ao espelho, é esse vazio que sentimos cá dentro, é por causa desse vazio que nos impede de conquistar e de nos erguermos que colapsamos e que nos abandonamos a esta doença cruel. Uma doença que transforma tudo o que conhecemos, ansiamos e desejamos. Que transforma quem somos. Que apaga os traços de um caminho até aí efetuado. E só quando nos vemos refletidos nos rostos dos outros nos apercebemos da dimensão da nossa queda, da nossa derrota. A depressão venceu. Perdemos a nossa identidade, sonhos e ilusões. A depressão venceu. Perdemos a nossa vitalidade e o amor pela vida. A depressão venceu. Mas talvez não para sempre. Talvez um dia volte um esgar do nosso olhar, se abra uma fresta da nossa alma, regresse uma parte do nosso sorriso. Talvez um dia voltemos a ser gente. Com sonhos, sem estes medos que atormentam o coração. Talvez um dia. Eu espero por ele.

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